SIM, SIM, EU GOSTO DE REGRAS

É estranho, não é, quando uma criança nos diz que gosta de regras?

É realmente estranho ouvir que alguém tão pequeno quer ter regras para cumprir.

Talvez esteja na hora de alterarmos alguns pensamentos acerca das regras e transformarmos algo que a maioria das vezes é sentido como punitivo, para algo mais agradável e positivo.

“Sim, sim, eu gosto de regras”, diz Pilar de 4 anos. Esta frase foi verbalizada enquanto se trabalhava a “Regra” numa sala de aula, no entanto, normalmente esta intensão não é verbalizada, mas sim transmitida pelas crianças aos adultos pelos seus comportamentos e pelas suas necessidades.

A rotina e a previsibilidade no dia a dia das crianças é fundamental para uma melhor adaptação à regra e à norma. A primeira instituição a transmitir a regra à criança deve ser a família e em seguida a escola e os amigos. A sociedade em que se insere a criança irá transmitir os restantes valores e convicções da própria cultura.

Os educadores e as famílias, mesmo sendo muito liberais, não podem deixar de impor à criança algumas regras que fazem parte do seu quotidiano. Transmitir à criança as regras, estimulando a sua confiança e auto-estima, favorece a autonomia, a independência, que por sua vez, aumenta a sua responsabilidade nas suas tarefas diárias.

A regra deve ser dada de forma simples, clara, positiva, justificável, atingível e não deve ser humilhante para a criança, seja qual for a sua idade. É muito importante envolver a criança na criação da regra, visto que se torna mais fácil para ela cumprir a mesma, respeitá-la e perceber a sua necessidade.

Como evitar a Birra?

Por vezes, é importante fazer a “Prevenção da Birra”, ou seja, o responsável pela criança deve preparar a mesma para o local onde pretende ir. Explicar onde vão, quais as regras a manter e quais as vantagens em se deslocarem ao local. Manter a calma por parte do adulto, explicar novamente a regra de forma clara, perguntar se existem dúvidas e explicar as consequências dos atos da criança. Não ceder à birra é fundamental e posteriormente cumprir a consequência designada para determinada situação. Aqui o reforço positivo ou negativo deve sempre existir.

A birra é um sentimento de frustração, com o qual a criança não sabe lidar, que pode envolver vários tipos de comportamentos. Varia de criança para criança, assim como, varia a sua intensidade.

Como controlar a birra?

  • Manter o controle por parte do adulto;
  • Perceber junto da criança o porquê da birra;
  • Deixe-a chorar e quando estiver mais calma, conversar;
  • Durante a conversa, perceber o seu ponto de vista, dar apoio, mas com firmeza explicar o porquê de não poder ser como a criança quer que seja;
  • Nunca deixe a criança sozinha durante a birra e leve-a para um lugar mais calmo;
  • Não ceder à vontade da criança, é fundamental.

É importante não esquecer que o “Não” é um fator organizador nas nossas crianças e estrutura o ser humano.

Os jovens de hoje em dia parecem ter mais direitos do que deveres e isso é preocupante, visto que não existe um equilíbrio entre a liberdade e a responsabilidade.